FRANCISCO SMITH
FRANCISCO SMITH
Lisboa, 1881 - Paris 1961
UM ARTISTA DA MODERNIDADE

Fotografia do Sr. e da Sra. Smith na quadra de tênis da propriedade da família em Olivais, perto de Lisboa, logo após o casamento, coleção da família, ©ADAGP.
Francis Smith (nascido Francisco Smith) nasceu em Lisboa em 1881, no seio de uma família de origem inglesa.
Chegou a Paris por volta de 1902 e fixou-se definitivamente em 1907. Dedica a sua carreira artística exclusivamente à pintura e torna-se uma figura da boémia de Montparnasse, frequentando outros pintores portugueses que se tinham mudado para a capital, como Eduardo Viana (1881-1967), Manuel Jardim (1884-1923), Manuel Bentes (1885-1961), Amadeo de Souza- Cardoso (1887-1918), Emmerico Nunes (1888-1967) e Domingos Rebelo (1891-1975).
Em 1908, frequenta as Academias Jullian e Colarossi, La Grande Chaumière e Le Studio. É também durante este período que conhece Yvonne Mortier (1883-1975), que se torna sua esposa em 1911.
Em 6 de outubro de 1913, dá à luz o seu primeiro filho, uma menina chamada Liska. É também neste ano que obtém a nacionalidade francesa e muda o seu nome próprio para Francis.
Em 1918, realizou-se pela primeira vez uma exposição monográfica da sua obra no Salão Bobone, em Portugal. Infelizmente, não foi tão bem-sucedida como se esperava.
UM ARTISTA INTERNACIONAL
Em 1921, conheceu a galerista Berthe Weill (1865-1951), que o apoiou na sua ascensão à fama, dedicando-lhe cinco exposições individuais e incluindo-o em cerca de quinze exposições colectivas. Tornou-se uma amiga muito próxima.
O artista expôs também com Colette Weill, bem como com Charpentier, Druet, Marcel Bernheim, Drouant David e em numerosos salões, como o Salon d'Automne, o Salon des Indépendants e o Salon des Tuileries. Participou regularmente no Salon des Peintres Témoins de leur Temps, fundado em 1951 pelo pintor Isis Kischka, amiga íntima de Francis Smith. Este evento realizava- se todos os anos no Museu Galliéra sobre um tema específico (Felicidade, Desporto, Parisienses, etc.).
Participou também regularmente na Kermesse aux Etoiles, um evento de beneficência multidisciplinar, criado originalmente para ajudar a 2a Divisão Blindada, que se realizava todos os Verões no Jardin des Tuileries durante a década de 1950. Esta foi a única ocasião em que Francis Smith, habitualmente muito modesto, executou obras em público, num stand dedicado.
Embora raramente tenha regressado ao seu país natal, Portugal desempenha um papel muito importante na sua obra. Pinta sobretudo cenas da vida portuguesa, fruto das suas memórias de infância.

Fotografia do Sr. e da Sra. Smith, coleção da família, ©ADAGP.
Jorge Barradas afirmou que quando Smith se mudou para o estrangeiro, os seus olhos levaram consigo “a nostalgia da luz e da cor portuguesas, indeléveis na sua retina e agitadas pela bruma parisiense”.
Também Urbano Tavares Rodrigues escreveu em 1951: “Mesmo nas suas vistas de Paris, Francisco Smith deixa fluir, involuntária, mas inevitavelmente, um tom português que é o segredo e a mola mestra da sua arte”.
A luz desempenha um papel central nas suas composições, que criam sucessivas zonas de luz e sombra. As suas figuras, muitas vezes representadas à distância, integram-se no ambiente, que é calmo e descontraído.

Fotografia de Francis Smith no trabalho, coleção da família, ©ADAGP.
Morreu em Paris a 8 de outubro de 1961, dois dias antes de completar 80 anos. Nesse mesmo ano, foi criada a associação Amigos de Francis Smith e foi realizado um documentário por Fabienne Tsanck, que estreou a 7 de dezembro de 1961 no Musée de l'Homme de Paros. Dois anos mais tarde, em 1963, o Museu Galliéra dedicou-lhe uma exposição retrospetiva intitulada “Francis Smith et ses amis”, inicialmente planeada para celebrar o seu 80o aniversário: 60 artistas foram expostos ao seu lado, incluindo obras de Picasso, Buffet, Chagall, Utrillo e Vlaminck.
Em 1967, o Secretariado Nacional de Informação realizou em Lisboa uma grande retrospetiva da sua obra.
Dois anos mais tarde, em 1969, o Centro Português da Fundação Calouste Gulbenkian organizou em Paris uma exposição intitulada “Le Portugal dans l’oeuvre de Francis Smith”, homenageando o artista. Em 1972, foi realizada uma grande exposição de desenhos de Smith na Maison du Portugal, em Paris, e, mais tarde, nesse mesmo ano, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, revelando uma faceta até então pouco conhecida do seu talento.
UM ARTISTA A REDESCOBRIR
Mais recentemente, uma exposição temática comissariada pelo historiador de arte Jorge Costa, intitulada “Francis Smith, em busca do tempo perdido”, reconstituiu de forma exaustiva o seu percurso, e teve lugar em Lisboa, em 2021, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, com o patrocínio da Fundação Millennium BCP.
A obra do artista encontra-se protegida pela ADAGP.